A televisão com a sua imagem tão ruim, faz cair chuviscos na tela, mas se agente se esforçar dá para assistir, mais nem pense em colocar na BAND. Aqui se pode perceber de longe quem tem condições aquisitivas, e só olhar para o telhado e observar quem tem antena parabólica. E mais raro ainda os que têm TV à cabo, mas temos que tomar cuidado para não se enganar, pois tinha um sujeito que trabalhava em um dessas empresas de TV à cabo, que piratiava, e por 200 reais você poderia ter esse luxo pelo resto da vida, pagando uma única vez.
Apesar dessa dificuldades as pessoas são próximas, pelo fato da cidade ser pequena a maioria das pessoas se conhecem. Esse calor humano e um dos motivos que fazem com que a maioria das pessoas não tenham vontade de mudarem.
No P-sul existem muitas escolas, mercados, padarias, igrejas e cabeleleiros. Esses são os comércios com maior índice de existência. Aqui já foi chamado de "caldeirão do inferno", pelo alto índice de criminalidade e pela mais famosa gangue de Brasília, os "nazas". Aqui, como em todos os lugares, residem intelectuais e ignorantes, há também um padre que bebê e fuma com o sagrado dizimo do povo. O engraçado e que esses sujeitos estendem as mãos e pedem bença ao padre, lançam um olhar furioso aos pobre bêbados que ficam em baixo de um trailer, lá e conhecido como "a escolinha da cachaça".
Nas avenidas passam todos os tipos de carro, de fusca a importados. Depois que inventaram o financiamento em 60 vezes, coincidentemente aumentou o número de carros. Tem gente com o telhado furado e um carro na garagem.
As pessoas não tem noção da importância da nossa cidade para Brasília. Aqui se localiza a segunda maior indústria do mundo. Ela e responsável por limpar as sujeiras da cidade, e nós os responsáveis por sentir o odor desagradável que os residentes de Brasília não sentem. É meus caros, é aqui no P-sul que se encontra essa indústria, que acomoda todo o lixo de Brasília. Ela é uma usina de lixo.
Recentemente descobriram fósseis nas redondezas do P-sul que datam mais de dez mil anos. Esse lugar está sendo preservado e a maioria da população nem sabem desses achados. Estão vindo historiadores de vários estados. Isso significa que antes de habitarmos esse maravilhoso bairro, já existiam outros moradores e espero que eles tenham tido o mesmo amor pelo P-sul que nós sentimos.
Sou morador do P-sul desde o meu nascimento, essa cidade vem crescendo e se valorizando. Fico extremamente feliz que muitos jovens que aqui residem, cursam faculdade. O mais interessante ainda e que a maioria promete ajudar a população menos favorecida, que constituem essa cidade exuberante. Aqui tem cachoeiras, áreas verdes e pontos de lazer. Essa e a minha cidade natal, e prometo sempre estar ao seu lado.
André Lemos Vieira. Nascido e criado na ceilândia.
Recentemente me formei em psicologia e pretendo contribuir com os meus serviços para a comunidade.
