terça-feira, 29 de abril de 2008

Minha cidade natal

Esses dias percebi o meu engano, pensava que morava em Brasília, mas na verdade moro em um cidade satélite que se encontra na periferia de Brasília. Uma das coisas que contribuíram para essa minha percepção foi uma placa de transito que indicava assim o caminho: Um sinal para a direita indicava o caminho para a ceilândia e outro sinal reto indicava o caminho para Brasília. O nome Ceilândia significa "Campanha de Erradicação de Invasões'". Isso mesmo, meus pais invadiram Brasília, e por não terem na época, condições financeiras, tiveram que aqui construírem o seu lar. Dentro da ceilândia existem vários bairros, o nome do meu bairro e Setor Presidencial Sul (P-Sul). O ultimo presidente que esteve por aqui era um bêbado, ele saia gritando que era o presidente Brasil, e dizia que mandava nesse país. Na verdade ele liderava um grupo de alcoólatras.

A televisão com a sua imagem tão ruim, faz cair chuviscos na tela, mas se agente se esforçar dá para assistir, mais nem pense em colocar na BAND. Aqui se pode perceber de longe quem tem condições aquisitivas, e só olhar para o telhado e observar quem tem antena parabólica. E mais raro ainda os que têm TV à cabo, mas temos que tomar cuidado para não se enganar, pois tinha um sujeito que trabalhava em um dessas empresas de TV à cabo, que piratiava, e por 200 reais você poderia ter esse luxo pelo resto da vida, pagando uma única vez.
Apesar dessa dificuldades as pessoas são próximas, pelo fato da cidade ser pequena a maioria das pessoas se conhecem. Esse calor humano e um dos motivos que fazem com que a maioria das pessoas não tenham vontade de mudarem.


No P-sul existem muitas escolas, mercados, padarias, igrejas e cabeleleiros. Esses são os comércios com maior índice de existência. Aqui já foi chamado de "caldeirão do inferno", pelo alto índice de criminalidade e pela mais famosa gangue de Brasília, os "nazas". Aqui, como em todos os lugares, residem intelectuais e ignorantes, há também um padre que bebê e fuma com o sagrado dizimo do povo. O engraçado e que esses sujeitos estendem as mãos e pedem bença ao padre, lançam um olhar furioso aos pobre bêbados que ficam em baixo de um trailer, lá e conhecido como "a escolinha da cachaça".

Nas avenidas passam todos os tipos de carro, de fusca a importados. Depois que inventaram o financiamento em 60 vezes, coincidentemente aumentou o número de carros. Tem gente com o telhado furado e um carro na garagem.

As pessoas não tem noção da importância da nossa cidade para Brasília. Aqui se localiza a segunda maior indústria do mundo. Ela e responsável por limpar as sujeiras da cidade, e nós os responsáveis por sentir o odor desagradável que os residentes de Brasília não sentem. É meus caros, é aqui no P-sul que se encontra essa indústria, que acomoda todo o lixo de Brasília. Ela é uma usina de lixo.

Recentemente descobriram fósseis nas redondezas do P-sul que datam mais de dez mil anos. Esse lugar está sendo preservado e a maioria da população nem sabem desses achados. Estão vindo historiadores de vários estados. Isso significa que antes de habitarmos esse maravilhoso bairro, já existiam outros moradores e espero que eles tenham tido o mesmo amor pelo P-sul que nós sentimos.

Sou morador do P-sul desde o meu nascimento, essa cidade vem crescendo e se valorizando. Fico extremamente feliz que muitos jovens que aqui residem, cursam faculdade. O mais interessante ainda e que a maioria promete ajudar a população menos favorecida, que constituem essa cidade exuberante. Aqui tem cachoeiras, áreas verdes e pontos de lazer. Essa e a minha cidade natal, e prometo sempre estar ao seu lado.



André Lemos Vieira. Nascido e criado na ceilândia.

Recentemente me formei em psicologia e pretendo contribuir com os meus serviços para a comunidade.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Loucura e solidão

A loucura está presente, hoje não posso sair de casa. Minhas vistas estão cansadas de ler tantos livros. Estava me deliciando com as historias de Dom quixote. Penso em ligar a televisão, mas não consigo. Me lembro logo do novo produto da mídia, um caso que se hipotetiza de um pai ter lançado uma menina pela janela do seu prédio. Ví as pessoas tentarem fazer a mesma maldade ao tentarem linchar o possível assassino. Essa maldade que a mídia faz com os ignorantes, tira um pouco a minha paz. Se nós fossemos sofrer por cada caso trágico que existem nos cemitérios, iamos passar o dia todo sofrendo, fazendo da neurose uma psicose. Penso em meus amigos, sinto que estou precisando convesar, mas logo me lembro que estão todos trabalhando. Esse dia parece ser tão longo, encosto na varando e vejo crianças e adolescentes voltando da escola. Uns caminham sozinhos e outros em grupos. Sinto vontade de me aproximar daquele que caminha solitário. Essa vontade não e capaz de mover nem os meus dedos, imagine o corpo. As vezes sinto vontade de escrever os meus dias tão solitarios quanto a lua. Não iria descrever os meus dias como o solitário do livro "naúsea" de Sartre, estou em paz. Com os amores aprendi como ser traído, como somos desvalorizados, mesmo devotando todo o valor possível ao outro. Essa dor que já carreguei por várias vezes em meu peito, agora server para confortar a minha solidão. Ao mesmo tempo, sei que necessitamos de nos relacionarmos, mas dessa vez vou dar um tempo e buscar alguém que saiba amar. Pensei que eu poderia mudar as pessoas, mas percebi que sou eu que tenho que mudar. Não devemos esperar isso das pessoas, temos que iniciar a nossa paz interior, para depois pensarmos em uma paz social. O mundo está em crise, o ceticismo tomou o lugar das certezas. O mundo está cada vez mais solitário, nos deram espelhos e percebemos o quanto somos neuroticos. Renato Russo com sua intuição já dizia isso em suas musicas, "O mal do século e a solidão". Quem e Freud perto do Renato Russo, esse cara vem me ensinando uma psicologia vivencial, demonstrando os problemas do mundo. Em outra musica ele diz o seguinte: "Quero ter alguém com quem conversar, alguém que não use o que eu disse contra mim". Essa e uma lição terapeutica, isso é a pura verdade, e isso nos faz caminhar ao nosso apartamento, que como a lua, representa a nossa solidão. Nos que temos ideias tão modernas somos os mesmos homens que viviam nas cavernas. A loucura está presente, vou construir a minha propria sociedade, tenho que escapar desta norma que se apresenta tão doente, que da neurose passará para a psicose.