quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lispector, Clarisse - A paixão segundo G.H. : rio de janeiro: rocco, 1998

Resenha:

Afinal, qual é o sentido de existir? A humanidade foi lançada no mundo com várias explicações. Explicações essas que são construídas pela razão, e ainda acreditamos em nossa superioridade. Aquele que indaga sobre a sua existência, logo procura o sentido de existir. Essa, mesmo sendo uma complexa questão, e extremamente relevante para a construção de um movimento critico diante do mundo, além de propiciar um encontro consigo. Assim Clarisse Lispector vai narrando a historia de G.H. Sozinha em seu apartamento, G.H, vai admirando e se espantando com o mundo, mostrando claramente a utilização de uma postura filosófica, colocando-se frente ao mundo com um olhar ingênuo. Afinal, que mundo é esse que me relaciono, eu sou responsável por ele, e ele por mim, nesse sentindo e realizado uma co-construção, e por isso mereço conhecê-lo.

De maneira extremamente descritiva, G.H reflete a cerca do mundo, observando os detalhes e os consumindo, não livrando nem a pequena e morta barata, que esmagada solta um gosmento liquido branco. Devorando e sentindo a natureza, G.H pensa em toda a sua vida, e nisso vai buscando a si. Por quantas vezes desistimos de refletir sobre o mundo, caminhando em um rumo escuro, onde a todo o momento podemos nos encontramos com os “demônios” que nos habitam. Precisamos conhecê-los, pois as nossas experiências nos permitem perceber a importância de caminharmos por onde temos prontidão.

Ao final do livro, G.H decide agora sentir o mundo sem buscar explicá-lo. Essa se tornou uma mudança necessária, pois agora o sentido está em caminhar pelo mundo aproveitando-se de forma como puder da sua existência.

domingo, 23 de novembro de 2008

Dedico esses singelos dizeres a alguém que está se tornar extremamente especial.

Quando vi pela primeira vez os seus olhos castanhos, meu corpo todo paralisado não se cansava de admirar. Desejava por todo segundo tocar a sua linda pele branca. Nesse instante esses minutos pareciam segundos. Eu te via desviar o olhar, e nesse momento via ainda mais beleza. Os seus lindos cabelos passeavam pelo o seu rosto angelical. Por noites fiquei sonhando com o teu beijo. Quando ouvi pela primeira vez a sua voz, fechei os meus olhos e senti como se fosse o canto hipnotizante de uma sereia. Mesmo muito tempo depois, ainda em minha mente ressoava o teu doce canto. Sentir os seus lábios me levaram as nuvens. Eu não queria parar de te beijar, eu morreria feliz dessa maneira sufocado. Mordendo os seus lábios, quis ferozmente te devorar por inteira. Nunca havia sentido tanto prazer, e agora passo o tempo todo a te desejar. Minha flor de lis, seu cheiro arrepia o meu corpo, me deixe por muito tempo te cultivar. Darei-te todo o meu amor, e em troca, quero apenas mais um olhar teu.


Adoro o seu jeito de me olhar.
Sinto um gosto doce quando te beijo.
Em seus braços me sinto completo.
Me leve pelos seus caminhos.

Os seus sonhos já se tornaram meus.
Desejo-te por inteira.
Eu sou todo seu.
Sei que tenho apenas uma parte de você.

Quero te levar à Paris,
Só para ver os seus olhos Contemplando toda aquela beleza.
Seguirei os seus passos
E realizarei os seus sonhos.

Com você meu mundo parece parar.
Cada minuto se torna um segundo.
Sinto-me leve,
Vamos voar meu amor?

Tudo ganha sentido ao seu lado.
Mesmo que isso seja passageiro,
Poderei gritar ao mundo que senti a felicidade.
Minha flor de lis,
Você foi tudo que eu sempre quis.

(André Lemos)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Olhos de menina, pensamento de mulher.
Os traços da perfeição,
A humildade de quem sabe amar.
Uma voz doce, queria deitar em seu ombro.
Uma beleza rara
Protegida dos homens que não sabem admirar.
E você menina que encanta esse pobre homem.
Será que você pensa em mim?
A sua existência retira a minha paz.
Eu olho para as estrelas
E penso que foi de lá que veio o seu sorriso.
É tão sincero, nesse momento eu me perco.
Já perdi as contas de quantas vezes me perdi.
Por um segundo eu nunca mais quis te ver.
Foi tão rápido, que agora quero mais te ter.
Olhe para quem te ame, seja quem for.
Vamos sentar no cais e ver o pôr do sol.
Quero te abraçar e dizer coisas de amor.
Quero te dar o mundo é um pouco mais.
Ainda irei ver os seus olhos contemplando o mar.
Tenho um mundo para te apresentar
Me deixe te amar
Como você mostrou merecer

(André Lemos)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Não compreendo essa dor,
Sei que apenas não queria senti-la.
As vezes acredito
Que sou a tradução da dor.
Eu sou uma ferida aberta
Eu sou a solidão da lua.
Estou cansado de me sentir sozinho.
Queria um sol para me iluminar,
Queria ver sentido em minha existência.
Eu sou um pouco de areia no mar,
As ondas me navegam.
Eu queria saber por onde ir.
A minha dor é o horizonte sem fim.
Estou perdido esperando alguém me encontrar.

(André Lemos)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Criança abandonada

Olha esse garoto que pede esmola no sinal.
Veja os vidros que sobem quando ele se aproxima.
Quais serão os seus sonhos?
A sua mãe embreagada o espera com o lucro do dia.
Ele quer ser jogador de futebol, mas não sabe jogar.
Ele quer sonhar, mas não tem tempo para dormir.
Ele precisa trabalhar, têm uma mãe para sustentar.
As crianças voltam da escola, ele direciona um olhar raivoso.
Pensa em rouba-los, ele não compreende, Na verdade ele
Sente vontade de ser aquele garoto de tenis com o caderno na mão.
Ele sabe que aquele garoto ganha presentes quando tira um 10.
Ele olha para o seu braço e vê as queimaduras de cigarro.
Esses dias ele gastou todo o seu dinheiro jogando video game.
Ele não sabe rezar, não entende por que Deus lhe deu essa vida.
Ele precisa fugir de tudo isso, agora ele vai cheirar cola.
Ele aspira, sente a tontura, se depara com outro mundo.
E lá se vai, ele anda tropeçando e dizendo coisas sem sentido.
As pessoas se espantam e vão na direção contraria.
Sempre foi assim, nunca lhe perguntaram sobre o seu dia.
As pessoas se revoltam, o julgam como um problema social.
Ele não queria ser um problema social,
Na verdade ele queria apenas ser sociavél
Essa é só mais uma criança abandonada.
Não chore, fazemos parte de tudo isso.
A nossa esmola dá manutenção à essa dinâmica.


(André Lemos)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O meu coração está tão cansado. Preciso ver um mundo diferente, onde o meu coração possa descansar. A dor já não parece ser tão forte, preciso sair sozinho. Os meus passos são lentos, observo a beleza do dia, sinto o sol esquentando o meu corpo. Irei até aonde possa caminhar. Queria ver o mar, mas ele está tão distante. Se ele estivesse por perto iria contemplar o horizonte. Eu sou assim como o horizonte, me sinto distante do resto do mundo. As pessoas não conseguem me perceber, escondo o que sou atrás dessa longa barba.

Olha só, trouxe flores mortas para te dar.

Você nunca mereceu o meu sorriso.

Veja bem quem eu sou,

Não necessito do seu amor.

Sempre acreditei nas suas mentiras.

Logo eu que fui tão verdadeiro

Fico aqui apenas sentindo essa dor,

Mas ao menos sei o meu valor.

Eu sempre quis te dar o mundo,

Esse que era o seu interesse.

Eu não tinha tudo,

Por isso para você eu não era nada.

Eu não sou o nada,

Sou apenas o que desejo ser.

Eu sou a solidão...

O coração está apertado.

A saudade às vezes me assola.

Penso em você e me lembro da maldade.

Sinto esse ódio porque ainda te amo.

Meu odeio por ainda te amar.

Hoje não estou me sentindo muito bem.

Sei que dias melhores virão.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Essa escuridão me traz sentido. Essa noite foi longa, somente agora consegui abrir meus olhos. Hoje eu não queria ver o mundo, queria apenas sentir os meus pensamentos. Penso em tanta coisa, as vezes queria apenas não pensar. Estou sentindo frio, não encontro meu cobertor. Por mais engraçado que seja, e nesses momentos que sinto sua falta. Não porque você me cobria quando eu sentia frio, mas porque você roubava toda noite o meu cobertor. Eramos tão parecidos, dormiamos com as costas encostasdas, as vezes você jogava o braço sobre meu rosto, é eu acordava, tirava o seu braço e te dava carinhosamente um beijo. Lembro do dia que você me disse que enquanto eu dormia, você beijava minha boca ansiosamente. Fiquei imaginando, isso fazia meu amor se engrandecer.
As vezes no meio da noite nosso sono era acometido por um choro de criança. Você virava desesperada é a abraçava acariciando e beijando o rosto. Nesse momento eu imaginava que essa poderia ser a mãe da minha desejada estela. Esse nome era motivo de briga, uma briga que eu adorova, e você no final sempre beijava o meu rosto e dizia que concederia ao meu desejo. Nessas horas eu respirava ofegante e não acreditava no filme romântico que eu vivia, já tinha passado por cada mare, que já não acreditava mais em dias de amores. O estranho é que quando eu tinha mais certeza e me encontrava no meio do oceano, essa mare lançou meu corpo ao fundo do mar, repetindo as trágedias que eu já havia vivido. Agora estou voltando a superficie é me encontrei com uma sereia, é espero passar por tudo novamente.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lei seca

Muito se discute de forma tendenciosa sobre a "Lei Seca". Os jornais lutam pela liberdade de imprensa e agora estou começando a reconhecer a relevancia dessa luta. Todos os dias em sua capa principal o correio braziliense traz uma reportagem sobre essa lei polêmica, é ainda corrolabora mostrando reportagens sobre alguns jovens que estão procurando outros meios de continuar frequentando bares, mas se esquescem que essa outra maneira só serve da classe média em diante. O Detran anunciou que houve uma redução no numero de acidentes com mortos, mas se esquescem de falar também que houve uma diminuição no número de veículos que trafegam nas noites pela cidade . Isso demonstra a tedencia desses jornais em favor do estado brasileiro. O jornal precisa da sua liberdade. Nem todos os jornalistas estão a favor dessa lei, mas não podem se manifestar. Esse é um país baiano querendo se utilizar de um modelo europeu. Se queremos que essa lei se torne justa, o país necessita mudar de postura. Quantas vezes vemos policiais e agentes do detran trafegando sem sinto de seguraça pelas cidades, isso não é correto, mas que irá multa-los?
As pessoas se alieniam nessa ideologia de associar somenta a bebida as mortes de transito. Se o estado realmente estivesse preocupado com a diminuição dos acidentes de transito obrigavam todos os carros a virem de fábrica com airbag e freios abs. Isso se torna claro quando pensamos nessa lei, simplismente não pretendem prender os "criminosos do transito", eles obrigam ainda a pagar uma multa de 955,00 reias. E agora todos os carros terão que utilizar chips para serem rastreados em caso de roubou e de IPVA ATRASADO. Esse país com essa politica me faz tanto rir.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O sol e a lua.

Às vezes quando o sol começa a se pôr,

Vou até a minha varanda

E fico esperando o espetáculo do céu.

Encosto os meus braços e inclino minha coluna.

Deixo meus olhos irem encontrar o infinito

Nesse momento nada me distraí

Concentro-me nas cores que se formam.

Sinto vontade de caminhar sobre as nuvens,

Para ir de encontro ao sol.

Vou suplicar para ir embora,

Quero ser um raio de sol,

Para iluminar aqueles que precisam de luz.

Queria apenas sentir o seu calor e fugir de toda essa dor. Os amores que me deparei, não me permitiram perceber as belezas do mundo. O sol é sempre o sol, mesmo que não possamos vê-lo por estar protegido pelos seus raios, capaz até de impedir de vermos o resto do mundo. Isso me faz acreditar que sua beleza é protegida dos homens que não sabem admirar. Estrela única, nunca mostre a sua verdadeira beleza.

Os homens são capazes de ver a lua por estarem na escuridão de suas cavernas. Sei que o sol ilumina a lua é a lua ilumina a noite. A lua que é cortejada pelos poetas e solitários. A noite é tão importante quanto o dia, é de noite que o mundo floresce. E a noite que nos obriga fechar os olhos, ela diz que precisamos dormir. Agora temos lâmpadas, com isso muitos homens se esqueceram da lua que por tantos anos iluminou a terra. Sei que a lua me ilumina, em troca posso apenas admira-la. Os homens produziram uma nova luz, ameaçando o equilíbrio da natureza.

A noite foi feita para dormir, mas o capitalismo necessita do nosso trabalho, agora os homens ditam a hora do mundo. Diante tudo isso, qual a necessidade da lua para o mundo? A lua ilumina noite sem nada nos cobrar, os homens com suas lâmpadas gastam a água do mundo é só agora perceberam que um dia irá acabar. Os homens pensam que o mundo está próximo do fim, esse humanismo me faz rir, a natureza sabe que é o fim da humanidade que está próximo.

(ANDRÉ LEMOS)


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Conversa Fiada.

E espantoso como a televisão é capaz de revelar a cultura brasileira. Certo dia estava sentado na sala da casa de um amigo. Estavamos conversado sobre nossa infância, davamos risadas e as vezes o silêncio pairava, nos possibilitando refletir sobre o que lembravamos. Seu irmão entrou na sala e foi logo ligando a televisão. Trocou os canais até chegar em um programa chamado TV FAMA, da Red TV. A nossa atenção foi chamada para mostrar uma briga entre duas mulheres por uma música chamada "Baba cachorrão". As duas vaidosamente brigavam pela disputa da música e do titulo de "rainha do bumbum". Lembro que o nome de uma delas é "mulher melancia". Essa mulher carrega esse nome pelo fato de sua bunda ser despropocional com o seu corpo. A sua bunda é produção de um laboratorio. Fico pensando na pobre dona de casa que passa o dia cuidando dos seus filhos, da casa e do trabalho. Seu marido chega elogiando a bunda de laboratorio e ainda compra uma revista em que ela se mostra núa. Realmente, e melhor admirarmos a pessoa que passa por uma cirurgia plástica, que enfrenta a possibilidade da morte, do que a referida dona da casa, que após ter tido dois filhos, não poderá concorrer ao glorioso titulo de "rainha do bumbum". Esse titulo para termos ideia é tão relevante, no Brasil, quanto o premio Nobel. A televisão brasileira que demonstra estar se afundando em proprio vazio, não é capaz de trazer uma discussão intelectual, que possa trazer ganhos significativos à humanidade. Pensar nisso me fazer abrir um grande sorriso, isso parece tão distante, quanto voltarmos a tocar em nossas rádios musicas como a de Renato Russo: "E preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", atualmente na boca dos jovens a musica que traz sentindo, e conota o vazio existencial, e a velocidade 5 do "Créuuu". Claramente podemos perceber o pensamento de Bauman demonstrado em seu livro "Amor liquido", as pessoas são descartavéis como um celular. Os conflitos não são vivenciados, são "superados" com um novo "amor". o Amor e liquido é fluído,transita em diferentes relações, recebendo e transmitindo aspectos sexuais. Esse é o nosso mundo, essas pessoas aindam são capazes de discussar contra os politicos, a hipocrisia é de todos.

(ANDRÉ LEMOS)

De Pessoa a Pessoa: Psicoterapia Dialógica.

O livro, De pessoa a pessoa, de Richard Hycner, propõe uma psicoterapia dialógica, onde a cura acontece através do encontro, na relação entre terapeuta e cliente. Essa relação é marcada pelo encontro EU-TU, em contraste a relação EU-ISSO. Hycner compreende que na relação EU-ISSO, o outro e compreendido como um objeto, utilizando-o como um meio para um fim. A relação EU-TU se inicia quando voltamos nosso ser para o do nosso “parceiro”. Ao estarmos envolvidos e verdadeiramente interessados no outro, nos deparamos com a esfera do “entre”. O entre é compreendido como um elemento constitutivo próprio da existência humana, é um fenômeno ontológico.

Nesse contato o terapeuta vivencia o paradoxo da sua profissão, pela necessidade do envolvimento pessoal, o self do terapeuta é intrinsecamente uma parte do processo. Isso significa que o terapeuta, na relação, não caminha apenas, com uma objetividade, que utopicamente imagina possuir por se detentor de uma formação que propõe o conhecimento humano. A sua subjetividade é parte do processo, o terapeuta, assim, vivencia uma relação mutua, caminhando entre a subjetividade e a objetividade. Podemos pensar em uma relação de aproximação e distanciamento. O terapeuta necessita entrar em contato com a sua interioridade, pois na relação ele pode se deparar com questões conflitantes que lhe são próprias. Para isso se torna necessário esclarecer, que a terapia e para o cliente e não para o terapeuta. Nesse sentido deve-se ter claro para o terapeuta a possibilidade de se deparar consigo mesmo, e se o terapeuta não encontrou respostas para curar o seu sofrimento, não conseguirá lidar com o sofrimento do outro.

A psicoterapia dialógica pensa uma relação de respeito mutuo, onde o terapeuta e cliente se reconhecem na alteridade, isso significa pensar em suas existências particulares. É um caminhar junto, buscando na relação, onde ocorre no “entre”, a possibilidade da cura. Hycner cita Buber, demonstrando um importante aspecto para compreensão desta relação: “O homem não é para ser visto ‘através’, mas para ser percebido de forma cada vez mais completa no seu mostrar-se e no seu esconder-se e na relação dos dois entre si”. Um aspecto importante desse pensamento é a aceitação do outro, reconhecendo os limites e as necessidades, buscando como pensa Hycner “um caminho da compaixão”.

Essa abordagem revela a relevância do dialogo no processo terapêutico. O desequilíbrio ocorre em uma perspectiva subjetiva, sendo assim a cura deve ocorrer nesse caminho. Reconhecendo o outro como um ser é não como objeto. Reconhecer os limites do terapeuta e do processo terapêutico e um marco extremamente relevante no pensamento de Hycner, onde o terapeuta perde o caráter autoritário e passa a ter a mesma importância que o outro. É um processo complexo, pois não tem uma técnica que dê segurança ao terapeuta, o processo terapêutico acontece no “entre”, através da relação EU-TU. Uma relação que respeita os momentos de resistência do cliente, buscando compreender as necessidades do cliente em vivenciar a sua resistência. Buscando nesse processo uma ponte para se tornar um “um aliado, um amigo” como descreve Hycner. A psicoterapia dialógica trata a dimensão espiritual, mas esta não está vinculada a uma perspectiva religiosa, mas pensa que todo dialogo humano é fundamentado com o Ser e é uma conseqüência dele. A experiência espiritual não se dá através da transcendência da realidade mundana, mas no domínio espiritual, através do encontro EU-TU com a alteridade. Esta pode ser uma pessoa ou a natureza:

“Não se pretende que o espiritual transcenda nossas limitações concretas. Em vez disso, ele deve aceitar essas limitações e transformá-las. O confronto com nossos limites humanos e a luta para transformá-los indicam a estrada que devemos seguir. Ainda assim, esse esforço não é realizado em um isolamento auto-imposto. Não dependemos apenas de nossos próprios recursos. Estamos em comunhão com os outros, que também estão lutando. É dialogo cada vez mais profundo com os outros que nos conduz para além de nossa finitude”. (Hycner, 1998).

O reconhecimento do humano é algo extraordinário. Permite reconhecer a existência, buscando reconhecer e respeitar a alteridade do outro, tornando assim possível reconhece a nossa própria alteridade.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

QUANDO A PEIA ARROMBA


quando ta desesperada enfia a cara na almofada e berra

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

abafa o grito que vem lá do umbigo
não, não ninguém entenderia
faz de conta q nada aconteceu

delira escarra e espirra
fazendo do dente martelo
quebrando a barra de ferro

foge da jaula
recanto fétido

escapa de si mesmo
pra cair no buraco que é si mesmo
momentos de luz
mundo treva

Rodolfo B. Brito.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Poesia...

Reconciliação

Eu que sou tão complicado e tão incompreendido
Eu que não acredito em final feliz, vivo com um final triste
Será que o sinônimo de amar e sofrer?
Ainda pretendo lutar, não irei deixar de viver

A lua que volta a me guiar,
Faz da força das minhas lagrimas
A mesma força das gotas da chuva
Quando será que o sol irá voltar?

Eu que fui aos céus com o seu beijo
Sinto-me indo ao inferno sem ele...
Acho que teu amor não é uma mentira
Isso e apenas o que a minha vaidade quer

Você que parecia realizar meus sonhos
Me fez lembrar dos seus
Vamos sonhar juntos
Quero tornar os seus em meus.

Não quero mendigar um sorriso
Quero ser feliz é estar ao seu lado
Quero com você olhar pela janela
E fazer nascer a nossa Estela.

Vamos ser o Eduardo e Mônica
Passar sobre as dificuldades
Não existe amor perfeito,
Então vamos fazer do nosso jeito.

Demorei tanto tempo para te encontrar,
Não posso apenas te perder
Por muito tempo fiquei a caminhar
Então farei por onde te merecer.

Quando o sol nascer irei te encontrar
Por muito tempo vou te beijar
Não quero mais conversar
Prometo para sempre te amar.

sábado, 7 de junho de 2008

Poesias. André & Rodolfo. A= André e R= Rodolfo.

Fiz essas poesias com o meu caro amigo Rodolfo. Tem alguns palavrões, a ideia era retratar a loucura, dizendo o que surgia em nossas mentes, se nos preocupar em mediar palavras.

A pedra


R: Escrevo a caneta para não voltar atrás.
A: Você expressa a sua loucura e fixa no papel.
R: Você escreve a lápis e pode apagar.
A: Às vezes volto atrás quando não e o que eu quis expressar.
R: A loucura não fixa no papel ela voa
A: Ela voa em pensamentos, você consegue enxergar?
R: Não foi o quis expressar? Ou não foi o que quis entender?
A: Não sei o que você quer, temos que ser metamorfoses ambulantes.
R: Não tem que ser nada! Eu sou uma pedra.
A: Aquela que bate tanto ate que fura?
R: Aquela que cresce de fora para dentro.
A: E o que te da à vida?
R: Sou parte do todo, começo, o fim e o meio.
A: Então seja a pedra no caminho.
R: Se você tirar as pedras não terá mais caminho.
A: Você e uma pedra numa montanha de cascalho.
R: Pode pensar o que quiser.
A: Isto te toca? Que pedra você quer ser?
R: Simplesmente sou até a pedra de gênesis
A: Esta esperando virar o ouro de tolo?
R: Acho que você não ta me entendendo
A: Acho que você não que ser entendido
R: E nem pretendo ser, você não precisa entender o que se passa aqui dentro
A: Eu preciso mais a pedra só se abre quando se quebra.

Morte...

R: Morte cante uma musica para mim

A: Limpa os meus ouvidos dessa sociedade

R: Fure meus tímpanos e entra nesse meu cérebro

A: Feche meus olhos para que eu possa apenas ouvir

R: Grite bem alto

A: Grite a verdade, te garanto que poucos irão ouvi

R: Se quer entender, se ouvirem vão.

A: Mas apenas ouvindo não entenderão

R: Como o organismo que grita peido pelo cú

A: Este e o fedor do mundo, nenhum perfume pode combater

R: Tem que entrar no cú para entender

A: Tem que ser uma merda e sair fedendo

R: Isso e uma vivencia.

A: Isto lhe causa espanto? Estamos dentro do seu espelh


Poesia feita no dia 07/05/07.André(A) e Rodolfo(R

Não estamos preocupados em ter um sentido nessa poesia, falamos o que veio na mente. o sentido e em estar sem sentido.


A: Eu me sinto um louco neste mundo que dizem ser normal.
Um mundo que fala de um Deus que o criou em sete dias
Este fez esta merda de mundo que não quer se acabar
Ainda me dizem que e pecado, ficar aqui a questionar

R: Suvaco, cobras e merda saem da minha boca. Blasfêmia!
Te xinguei e responsabilizo-te pela desgraça primeira. O pai do mal.

A: estou caminhando sem saber para onde vou
Se o mundo não tem explicação, um louco cria e outros loucos seguem.

R: Andando sobre o abismo, amando o risco
Na verdade, morte eu te desejo.

A: Será que e na morte que encontraremos as respostas
O que eu teria depois que a encontra-se

R: Ou será que multiplicar-se vão?
Corpo deixo você aos vermes
A pergunta sem resposta.

A: Qual o valor de um homem?
Até o homem mais importante um dia vira comida de verme.

R: Esse já nasce conosco
Carregamos desde o primeiro momento o germe do verme.
Cú, buceta e caralho, somos tudo isto!

A: E aqui paramos de pensar, com principio e sem fim.





segunda-feira, 2 de junho de 2008

Amor proprio.

Sinto muito, preciso descançar.
Estou cansado de perder as coisas que sinto amor.
Preciso aprender a sentir amor por mim mesmo.
Agora me darei rosas.
Inspirarei em mim os meus poemas.
Me levarei ao cinema e ao teatro.
Dançarei sozinho com os olhos fechados.
Direi coisas que preciso ouvir em meus ouvidos.
Vou contemplar a lua e me deitar sobre a grama.
Quero um jantar a luz de velas.
Entralaçar minhas mãos,
para sentir a minha maciez e o meu calor.
Não quero me perder.
Para isso estarei sempre comigo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O menino José

O menino José de olhar pobre e pouca esperança, anda pelo mundo cabisbaixo, olhando para o chão, vendo somente as sujeiras do mundo. Ele vai caminhando para a sua escola, que é bem longe da sua casa, com o seu tênis apertado, sujo e repleto de remendos. O sol sem nenhuma piedade queima a sua pele negra, fazendo destacar ainda mais as suas cicatrizes brancas. Às vezes cruza olhares, principalmente quando passa em frente das lojas. Os vendedores o olham atentamente, José entende e segue seu rumo olhando a calçada. Mesmo com o seu caderno velho e rabiscado, algumas pessoas se sentem ameaçadas, já projetam um olhar furioso imaginando que aquele garoto é ou um dia será um marginal.

É o mais forte é mais alto de sua turma, já perdeu as contas de quantas vezes reprovou. Com 11 anos de idade e ainda está na segunda série. Quase todos os dias ele vai à direção escutar o quanto e violento, mas nunca lhe dão castigo ou uma lição moral, eles acreditam que o garoto e deficiente mental, mesmo sem nenhum laudo médico que possa comprovar. Esse é um rotulo que às vezes faz com que os professores esqueçam do seu nome. Já estão acostumados a apontar o dedo e dizer: “aquele garoto é um “DM””. José tinha apenas dois anos quando a sua mãe o abandonou junto com seus 4 irmãos. O seu tio, que se chama João, que os salvou de virarem meninos de rua, com um misero salário de 350 reais, que conquista como o melhor motoboy de sua empresa. Sente extrema dificuldade em cuidar das cinco crianças. Às vezes João, sente vontade de abandonar os seus seis sobrinhos e ir embora para um lugar calmo e distante, mas agora já não pode mais, cuida dessas crianças desde pequenas. A sua aparência de 40 anos, faz muitos duvidarem que ele tenha apenas 30. Nunca foi casado, não tem filhos, mas tem sua mãe e outros irmãos, que se distanciaram dele para não ajudar, e sempre estão aconselhando a abandonar os meninos. Nesses momentos os olhos de João se emudecem com algumas lagrimas, sentindo um corte profundo em seu coração, mas ainda assim encontra forças para continuar nessa luta com as crianças.

É lá se vai o menino José, comendo ferozmente o lanche que todos os dias a escola lhe dá, esse é o maior motivo para que José continue na escola. O seu pai morreu quando ele ainda era recém-nascido, não sabe ao menos o seu nome. José nem procura mais saber, ele prefere dar o nome que quiser ao seu pai, e fantasiar histórias que lhe abrem o sorriso, até mesmo nos seus dias mais tristes. Se é que se pode dizer que existem dias que não sejam tristes.

Um dia cansado do seu cabelo crespo, das suas unhas sujas e grandes, e do odor desagradável que exalava do seu corpo, que muitos reclamavam quando ele chegava perto, resolveu vender uma bicicleta que tinha acabado de ganhar de sua vizinha, para poder comprar sabonete, shampo e perfume. Sua mãe que raramente ia visitá-lo, disse que iria vender a bicicleta e iria comprar o que ele tanto desejava. Sua mãe saiu com a bicicleta e a noite voltou bêbada e com as mãos vazias. José ao ver a cena, abaixou um pouco mais a sua cabeça do que de costume. Suas pernas começaram a tremer, não conseguia saber o porquê, não conseguia se mover, o medo era intenso. Sempre que a sua mãe está embriagada ele leva uma surra que aumentava ainda mais as suas cicatrizes. E dessa vez não foi diferente.

Qual será o futuro do menino José? Quem é o deficiente, os José, as famílias, as escolas, ou a sociedade? Acredito que a mistura de tudo isso está criando mais um futuro incerto. Mas se um dia o menino José virar marginal, somente ele será responsável pelo seu crime. Será trancafiado em uma cela do presídio. E a sociedade tentará o reciclar e integrar-lo novamente no mesmo mundo do qual ele veio. Acreditam que a figura possa mudar vivendo no mesmo fundo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sentindo o sem sentido

Com a consciência alterada
sussurava berros ao pé do ouvido surdo.

Cruzava olhares com a cegueira.

Caminhava com o homem sem pernas
mas com sapatos.

Procurando o que falta em mim no outro.

Mais cego do que o cego.

Mais surdo do que o surdo.

Num mundo onde os sapatos
importam mais que as pernas.

Não cure a doença que me traz sentido

André Lemos & Rodolfo Brito.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Esses dias estava passando pela EPTG e não pude deixar de perceber que Brasília está se degradando lentamente. As coisas vão fluindo e quando menos percebemos estamos dentro de um mundo que não se pode mais destruir. Estava em um engarrafamente, sozinho e com o som ligado. Os carros andavam lentamente e quando estavamos passando em frente a Àguas Claras levei um susto. Haviam vários predios e luzes no lugar da escuridão das àrvores que lá existiam. Na hora um pensamento veio a minha mente, o Arruda derrubou os lotes das pessoas que residiam há muitos anos na estrutural e agora está permitindo prédios em todos os cantos. Esse conflito está nos afetando. Brasília vive uma transição, no governo do Roriz as pessoas de classe baixa consiguiam sobreviver. Agora, com o "chorão" Arruda, Brasília só tem espaço da classe média em diante. Como a classe baixa irá se vestir? a feira acabou, e agora ganhou um nome elegante "Shopping popular". Nossa, que coisa mais bela, agora eles já podem se sentir da classe média. Os antigos "feirantes" podem agora dizer, com um sorriso estridente, que trabalham no "shopping". Isso é, quando eles conseguem dizer esse nome. Sinto falta da feira e do seu barulho que dava uma identidade particular. Será que agora teremos aquelas portas que abrem automaticamente? Vou sentir falta das lonas e do cabo de vassoura com um prego na ponta que sevia para pegar as roupas que ficam no alto. Agora Brasília só tem shopping, somos importantes, mas ainda acredito que o Taguatinga Shopping vai mudar o nome para Taguatinha Ultra Shopping. Agora se o Arruda ameaçar acabar com a feira do priquito, Brasília viverá uma verdadeira revolução. Já pensou: "Shopping popular da vargina", nem vamos pensar nessa possibilidade. As "primas" com toda a certeza iriam cobrar mais caro. Aí o meu povo iria perder um dos unicos prazeres baratos que existem em Brasília.

Vou continuar atualizando esse texto.... me ajudem com comentarios. abraços.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Carta de um jovem depressivo.

Queria entender porque ainda posso amar. Meu coração está tão ferido. Meus pensamentos são tristes, minha lagrimas parecem ser eternas. Prometi que nunca mais iria amar, nem em mim posso confiar. Nem este suave copo de vinho que me causa embriaguez traz algum sentido.

O sol com o seu calor insuportável, me lembra de mais um dia em que estou vivo. A morte parece um bom caminho, assim talvez as pessoas possam pensar em mim. Desejo apenas existir, não temo a morte. Na verdade é a vida que me causa medo.

Trancado em meu quarto, penso nas maldades do mundo. A televisão que vende uma felicidade utópica, fica o tempo todo desligada. No rádio tocam canções tristes, me sinto compreendido. Os ante-depressivos não causam mais efeito, deixando assim que este conflito, que me causa muita dor, continue em minha mente. Sinto-me destruído, o mundo que me deseja ver livre, me deixa trancado em minha loucura.

Sinto um corte profundo em meu braço, o sangue doce e vermelho escorre até o chão. Essa dor e bem menor do que parece, quando eu me corto fica mais fácil de esquecer o resto. Não adianta me olhar com esse semblante de pena. Não tente se aproximar, você não sabe, você não me entende. Sinto a maldade aqui por perto. Às vezes só preciso de um abraço, mas não quero abraçar ninguém.

Sinto-me estranho nesse mundo, fico atentamente olhando para o chão e pensando em minha solidão. O quarto sempre escuro é uma musica alta. Não quero que ninguém ouça os meus soluços. Sinto que estou indo embora. Não irei fazer falta, não existe ninguém ao meu lado. Não faz sentido viver, a morte e a solução.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Poesia da dor

Poesia que fiz há 2 anos atrás.


E hoje eu percebo que te ver e uma necessidade

Queria te dar o mundo inteiro é ate um pouco mais

Fui atrás das mais belas rosa, para conseguir o seu sorriso.

Estou desistindo de você, é tudo que achávamos certo foi embora.

Sinto que nada mais pode me ferir,

Não existe dor tão forte

O tamanho do meu amor,

É tão grande quanto o da minha dor.

No primeiro beijo você me fez viver

É na despedida você me fez morrer

Eu luto contra a minha mente

Para não pensar em você.

Desejo tanto a morte,

Não tem mais sentido existir

Apenas um copo de vinho me faz bem,

Assim consigo dormir,

Mas quando acordo, sinto um corte profundo

Meu coração esta partido,

Me sinto tão perdido.

O meu prazer e ter risco de vida

Já não sei mais quem eu sou

Estou cansado de correr na direção contraria

Ainda não estou derrotado, não preciso da sua caridade.

Esta tudo fora do lugar,

Eu queria apenas contar uma historia romântica

Mas sei que não existem finais felizes.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Conto....

Faz muito tempo que estou aqui parado olhando para a lua. Ela que ilumina os meus dias de tristeza e solidão. Estou nessa infelicidade por ter acreditado em uma flor que escondia em sua fascinante beleza, espinhos mortais. Uma flor tão bela, branca como as nuvens, com um odor tão raro, que me paralisava em meu suspiro. Entreguei-me cortejando-a com insanidade, cultivando-a de forma única. Ela estava tão sozinha, haviam passado muitos vendavais em sua vida, e as suas pétalas que não mais resistiam, estavam sendo levadas pelo vento.

Essa flor vivia em um imenso jardim, todos os dias a regava com a água do amor. Não existe água mais pura, ela se sentia tão bem, dava para ver de longe a sua cor se fortificar. Essa flor foi crescendo, foi retomando suas pétalas, o mundo a olhava diferente. O seu brilho a cada dia se intensificava, causando inveja até nas estrelas, ela estava se sentindo tão bela, que não conseguia mais pensar em mim. Outros jardineiros encontraram essa flor. Com isso tudo o que fiz foi se tornando obscuro. Às vezes eu colocava minha flor em um vaso e por horas ficava admirando. Realizava todos os desejos é fazia ela se sentir única no meio do imenso jardim que ela se encontrava. Não conseguia perceber que os seus espinhos também cresciam e se tornavam perigosos. Parece que esperava o momento certo de destruir o nosso amor. Eu queria apenas cuidar dessa flor, com isso acabei me esquecendo o mundo.

Um dia me recusei a cuidar da flor, é isso fez com que ela não aceitasse mais os meus cuidados. Essa dor foi tão forte, implorei para continuar fazendo dela a flor mais bela do jardim. Ela relutava e dizia para eu seguir meu caminho sozinho. Não conseguia entender, depois de tudo que passamos. Durante dias cuidei apenas dessa flor, sem nem ao menos olhar para outras flores. E minha flor, que já deixará de ser minha, dizia que agora iria seguir sua vida sem mim. Nesse instante me lembrei de como havia encontrado essa flor, e como lhe fiz se sentir viva.

Certo dia estava passando pelo jardim é pude perceber que tinha um jardineiro cuidando da minha flor, ela já não precisava mais de mim. Estava tão feliz, que me fez sentir feliz. Um dia conversando com a minha flor, ela me disse que estava bem, é que eu estava tomando o espaço dela, quando quis cuidar o tempo todo não a deixava respirar, ela não estava mais resistindo o sufoco que estava sentindo. Isso é a mais pura verdade. Acabei se esquecendo de mim, não passava de um pobre jardineiro. Agora reluto contra esse dor dos espinhos que passa pelo meu corpo. Quando vejo um jardim, não consigo mais olhar para as flores que lá existem. Hoje o mais importante é a minha flor continuar a mais bela de todas. Agora estou na solidão. Com essa flor hoje não posso nem ao menos conversar. Fico apenas amargurando o meu silêncio e admirando a lua.

Ainda não terminei esse conto. Amigos me apontem os erros, e onde eu posso melhorar. Sinto que falta alguma coisa. Me ajudem. Abraços....

sábado, 3 de maio de 2008

Fico sentado na beira da minha varanda. E tão bom estar perto do céu e longe do asfalto. As nuvens ganham formas particulares na imensidão azul. Estou tão preso em certos sentimentos que as formas das nuvens parecem a mesma. Consigo apenas me sentir diferente, uma diferença do mundo. Estou percebendo a minha dificuldade em conviver com a hipocrisia. Uma frase que acredito ser minha, está me fazendo pensar muito sobre a humanidade: "Onde há muita gente, há muito hipocrisia". Este e o nosso mundo. E somos nós mesmos que fazemos o mundo. Esse e o preço pelo humanismo, agora temos que encarar para lutarmos contra nós mesmo. Vou começar comigo, porque as vezes me tranco ao mundo, porque as vezes não converso com pessoas que julgo serem ignorantes. Porque tenho que conviver com o preconceito, eu que achava que estava em paz, agora percebo que sou tão tolo quanto o resto do mundo. Me distancio daquele sujeito com a roupa suja, a barba cheia e olhos baixos. Não quero sentir pena, quero dar um bom dia e um abraço e perguntar do que ele precisa. Ainda que ele me responda que precisa de tomar cachaça, vou beber junto com ele, para tentar descobrir os motivos que o levaram a essa condição de ser. Não vou com a esperança útopica de salva-lo, mas de apenas compreende-lo, de apenas ouvi-lo e se possível vou criar um vículo. Exite um pensamento de Calr Rogers, que poderá salvar mais individuos que os presídios e outras coisas. Calr Rogers diz o seguinte: "Devemos ter uma consideração positiva incondicional". Devemos aceitar as pessoas de forma positiva buscando compreender como elas são. O rotulo traz apenas uma percepção aparente, temos que tentar entrar contato com a subjetividade desses sujeitos. Iremos descobrir que esse sujeito tem uma historia de vida, que ele tem sentimentos e que também deseja viver. Nem todo mundo consegue lidar com os conflitos proprios é do mundo. Os que não conseguem temos que excluir? reflitam sobre essas coisas, e quem sabe conseguiram ter um pouco de paz.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Minha cidade natal

Esses dias percebi o meu engano, pensava que morava em Brasília, mas na verdade moro em um cidade satélite que se encontra na periferia de Brasília. Uma das coisas que contribuíram para essa minha percepção foi uma placa de transito que indicava assim o caminho: Um sinal para a direita indicava o caminho para a ceilândia e outro sinal reto indicava o caminho para Brasília. O nome Ceilândia significa "Campanha de Erradicação de Invasões'". Isso mesmo, meus pais invadiram Brasília, e por não terem na época, condições financeiras, tiveram que aqui construírem o seu lar. Dentro da ceilândia existem vários bairros, o nome do meu bairro e Setor Presidencial Sul (P-Sul). O ultimo presidente que esteve por aqui era um bêbado, ele saia gritando que era o presidente Brasil, e dizia que mandava nesse país. Na verdade ele liderava um grupo de alcoólatras.

A televisão com a sua imagem tão ruim, faz cair chuviscos na tela, mas se agente se esforçar dá para assistir, mais nem pense em colocar na BAND. Aqui se pode perceber de longe quem tem condições aquisitivas, e só olhar para o telhado e observar quem tem antena parabólica. E mais raro ainda os que têm TV à cabo, mas temos que tomar cuidado para não se enganar, pois tinha um sujeito que trabalhava em um dessas empresas de TV à cabo, que piratiava, e por 200 reais você poderia ter esse luxo pelo resto da vida, pagando uma única vez.
Apesar dessa dificuldades as pessoas são próximas, pelo fato da cidade ser pequena a maioria das pessoas se conhecem. Esse calor humano e um dos motivos que fazem com que a maioria das pessoas não tenham vontade de mudarem.


No P-sul existem muitas escolas, mercados, padarias, igrejas e cabeleleiros. Esses são os comércios com maior índice de existência. Aqui já foi chamado de "caldeirão do inferno", pelo alto índice de criminalidade e pela mais famosa gangue de Brasília, os "nazas". Aqui, como em todos os lugares, residem intelectuais e ignorantes, há também um padre que bebê e fuma com o sagrado dizimo do povo. O engraçado e que esses sujeitos estendem as mãos e pedem bença ao padre, lançam um olhar furioso aos pobre bêbados que ficam em baixo de um trailer, lá e conhecido como "a escolinha da cachaça".

Nas avenidas passam todos os tipos de carro, de fusca a importados. Depois que inventaram o financiamento em 60 vezes, coincidentemente aumentou o número de carros. Tem gente com o telhado furado e um carro na garagem.

As pessoas não tem noção da importância da nossa cidade para Brasília. Aqui se localiza a segunda maior indústria do mundo. Ela e responsável por limpar as sujeiras da cidade, e nós os responsáveis por sentir o odor desagradável que os residentes de Brasília não sentem. É meus caros, é aqui no P-sul que se encontra essa indústria, que acomoda todo o lixo de Brasília. Ela é uma usina de lixo.

Recentemente descobriram fósseis nas redondezas do P-sul que datam mais de dez mil anos. Esse lugar está sendo preservado e a maioria da população nem sabem desses achados. Estão vindo historiadores de vários estados. Isso significa que antes de habitarmos esse maravilhoso bairro, já existiam outros moradores e espero que eles tenham tido o mesmo amor pelo P-sul que nós sentimos.

Sou morador do P-sul desde o meu nascimento, essa cidade vem crescendo e se valorizando. Fico extremamente feliz que muitos jovens que aqui residem, cursam faculdade. O mais interessante ainda e que a maioria promete ajudar a população menos favorecida, que constituem essa cidade exuberante. Aqui tem cachoeiras, áreas verdes e pontos de lazer. Essa e a minha cidade natal, e prometo sempre estar ao seu lado.



André Lemos Vieira. Nascido e criado na ceilândia.

Recentemente me formei em psicologia e pretendo contribuir com os meus serviços para a comunidade.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Loucura e solidão

A loucura está presente, hoje não posso sair de casa. Minhas vistas estão cansadas de ler tantos livros. Estava me deliciando com as historias de Dom quixote. Penso em ligar a televisão, mas não consigo. Me lembro logo do novo produto da mídia, um caso que se hipotetiza de um pai ter lançado uma menina pela janela do seu prédio. Ví as pessoas tentarem fazer a mesma maldade ao tentarem linchar o possível assassino. Essa maldade que a mídia faz com os ignorantes, tira um pouco a minha paz. Se nós fossemos sofrer por cada caso trágico que existem nos cemitérios, iamos passar o dia todo sofrendo, fazendo da neurose uma psicose. Penso em meus amigos, sinto que estou precisando convesar, mas logo me lembro que estão todos trabalhando. Esse dia parece ser tão longo, encosto na varando e vejo crianças e adolescentes voltando da escola. Uns caminham sozinhos e outros em grupos. Sinto vontade de me aproximar daquele que caminha solitário. Essa vontade não e capaz de mover nem os meus dedos, imagine o corpo. As vezes sinto vontade de escrever os meus dias tão solitarios quanto a lua. Não iria descrever os meus dias como o solitário do livro "naúsea" de Sartre, estou em paz. Com os amores aprendi como ser traído, como somos desvalorizados, mesmo devotando todo o valor possível ao outro. Essa dor que já carreguei por várias vezes em meu peito, agora server para confortar a minha solidão. Ao mesmo tempo, sei que necessitamos de nos relacionarmos, mas dessa vez vou dar um tempo e buscar alguém que saiba amar. Pensei que eu poderia mudar as pessoas, mas percebi que sou eu que tenho que mudar. Não devemos esperar isso das pessoas, temos que iniciar a nossa paz interior, para depois pensarmos em uma paz social. O mundo está em crise, o ceticismo tomou o lugar das certezas. O mundo está cada vez mais solitário, nos deram espelhos e percebemos o quanto somos neuroticos. Renato Russo com sua intuição já dizia isso em suas musicas, "O mal do século e a solidão". Quem e Freud perto do Renato Russo, esse cara vem me ensinando uma psicologia vivencial, demonstrando os problemas do mundo. Em outra musica ele diz o seguinte: "Quero ter alguém com quem conversar, alguém que não use o que eu disse contra mim". Essa e uma lição terapeutica, isso é a pura verdade, e isso nos faz caminhar ao nosso apartamento, que como a lua, representa a nossa solidão. Nos que temos ideias tão modernas somos os mesmos homens que viviam nas cavernas. A loucura está presente, vou construir a minha propria sociedade, tenho que escapar desta norma que se apresenta tão doente, que da neurose passará para a psicose.