A loucura está presente, hoje não posso sair de casa. Minhas vistas estão cansadas de ler tantos livros. Estava me deliciando com as historias de Dom quixote. Penso em ligar a televisão, mas não consigo. Me lembro logo do novo produto da mídia, um caso que se hipotetiza de um pai ter lançado uma menina pela janela do seu prédio. Ví as pessoas tentarem fazer a mesma maldade ao tentarem linchar o possível assassino. Essa maldade que a mídia faz com os ignorantes, tira um pouco a minha paz. Se nós fossemos sofrer por cada caso trágico que existem nos cemitérios, iamos passar o dia todo sofrendo, fazendo da neurose uma psicose. Penso em meus amigos, sinto que estou precisando convesar, mas logo me lembro que estão todos trabalhando. Esse dia parece ser tão longo, encosto na varando e vejo crianças e adolescentes voltando da escola. Uns caminham sozinhos e outros em grupos. Sinto vontade de me aproximar daquele que caminha solitário. Essa vontade não e capaz de mover nem os meus dedos, imagine o corpo. As vezes sinto vontade de escrever os meus dias tão solitarios quanto a lua. Não iria descrever os meus dias como o solitário do livro "naúsea" de Sartre, estou em paz. Com os amores aprendi como ser traído, como somos desvalorizados, mesmo devotando todo o valor possível ao outro. Essa dor que já carreguei por várias vezes em meu peito, agora server para confortar a minha solidão. Ao mesmo tempo, sei que necessitamos de nos relacionarmos, mas dessa vez vou dar um tempo e buscar alguém que saiba amar. Pensei que eu poderia mudar as pessoas, mas percebi que sou eu que tenho que mudar. Não devemos esperar isso das pessoas, temos que iniciar a nossa paz interior, para depois pensarmos em uma paz social. O mundo está em crise, o ceticismo tomou o lugar das certezas. O mundo está cada vez mais solitário, nos deram espelhos e percebemos o quanto somos neuroticos. Renato Russo com sua intuição já dizia isso em suas musicas, "O mal do século e a solidão". Quem e Freud perto do Renato Russo, esse cara vem me ensinando uma psicologia vivencial, demonstrando os problemas do mundo. Em outra musica ele diz o seguinte: "Quero ter alguém com quem conversar, alguém que não use o que eu disse contra mim". Essa e uma lição terapeutica, isso é a pura verdade, e isso nos faz caminhar ao nosso apartamento, que como a lua, representa a nossa solidão. Nos que temos ideias tão modernas somos os mesmos homens que viviam nas cavernas. A loucura está presente, vou construir a minha propria sociedade, tenho que escapar desta norma que se apresenta tão doente, que da neurose passará para a psicose.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
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