quarta-feira, 28 de maio de 2008

O menino José

O menino José de olhar pobre e pouca esperança, anda pelo mundo cabisbaixo, olhando para o chão, vendo somente as sujeiras do mundo. Ele vai caminhando para a sua escola, que é bem longe da sua casa, com o seu tênis apertado, sujo e repleto de remendos. O sol sem nenhuma piedade queima a sua pele negra, fazendo destacar ainda mais as suas cicatrizes brancas. Às vezes cruza olhares, principalmente quando passa em frente das lojas. Os vendedores o olham atentamente, José entende e segue seu rumo olhando a calçada. Mesmo com o seu caderno velho e rabiscado, algumas pessoas se sentem ameaçadas, já projetam um olhar furioso imaginando que aquele garoto é ou um dia será um marginal.

É o mais forte é mais alto de sua turma, já perdeu as contas de quantas vezes reprovou. Com 11 anos de idade e ainda está na segunda série. Quase todos os dias ele vai à direção escutar o quanto e violento, mas nunca lhe dão castigo ou uma lição moral, eles acreditam que o garoto e deficiente mental, mesmo sem nenhum laudo médico que possa comprovar. Esse é um rotulo que às vezes faz com que os professores esqueçam do seu nome. Já estão acostumados a apontar o dedo e dizer: “aquele garoto é um “DM””. José tinha apenas dois anos quando a sua mãe o abandonou junto com seus 4 irmãos. O seu tio, que se chama João, que os salvou de virarem meninos de rua, com um misero salário de 350 reais, que conquista como o melhor motoboy de sua empresa. Sente extrema dificuldade em cuidar das cinco crianças. Às vezes João, sente vontade de abandonar os seus seis sobrinhos e ir embora para um lugar calmo e distante, mas agora já não pode mais, cuida dessas crianças desde pequenas. A sua aparência de 40 anos, faz muitos duvidarem que ele tenha apenas 30. Nunca foi casado, não tem filhos, mas tem sua mãe e outros irmãos, que se distanciaram dele para não ajudar, e sempre estão aconselhando a abandonar os meninos. Nesses momentos os olhos de João se emudecem com algumas lagrimas, sentindo um corte profundo em seu coração, mas ainda assim encontra forças para continuar nessa luta com as crianças.

É lá se vai o menino José, comendo ferozmente o lanche que todos os dias a escola lhe dá, esse é o maior motivo para que José continue na escola. O seu pai morreu quando ele ainda era recém-nascido, não sabe ao menos o seu nome. José nem procura mais saber, ele prefere dar o nome que quiser ao seu pai, e fantasiar histórias que lhe abrem o sorriso, até mesmo nos seus dias mais tristes. Se é que se pode dizer que existem dias que não sejam tristes.

Um dia cansado do seu cabelo crespo, das suas unhas sujas e grandes, e do odor desagradável que exalava do seu corpo, que muitos reclamavam quando ele chegava perto, resolveu vender uma bicicleta que tinha acabado de ganhar de sua vizinha, para poder comprar sabonete, shampo e perfume. Sua mãe que raramente ia visitá-lo, disse que iria vender a bicicleta e iria comprar o que ele tanto desejava. Sua mãe saiu com a bicicleta e a noite voltou bêbada e com as mãos vazias. José ao ver a cena, abaixou um pouco mais a sua cabeça do que de costume. Suas pernas começaram a tremer, não conseguia saber o porquê, não conseguia se mover, o medo era intenso. Sempre que a sua mãe está embriagada ele leva uma surra que aumentava ainda mais as suas cicatrizes. E dessa vez não foi diferente.

Qual será o futuro do menino José? Quem é o deficiente, os José, as famílias, as escolas, ou a sociedade? Acredito que a mistura de tudo isso está criando mais um futuro incerto. Mas se um dia o menino José virar marginal, somente ele será responsável pelo seu crime. Será trancafiado em uma cela do presídio. E a sociedade tentará o reciclar e integrar-lo novamente no mesmo mundo do qual ele veio. Acreditam que a figura possa mudar vivendo no mesmo fundo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sentindo o sem sentido

Com a consciência alterada
sussurava berros ao pé do ouvido surdo.

Cruzava olhares com a cegueira.

Caminhava com o homem sem pernas
mas com sapatos.

Procurando o que falta em mim no outro.

Mais cego do que o cego.

Mais surdo do que o surdo.

Num mundo onde os sapatos
importam mais que as pernas.

Não cure a doença que me traz sentido

André Lemos & Rodolfo Brito.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Esses dias estava passando pela EPTG e não pude deixar de perceber que Brasília está se degradando lentamente. As coisas vão fluindo e quando menos percebemos estamos dentro de um mundo que não se pode mais destruir. Estava em um engarrafamente, sozinho e com o som ligado. Os carros andavam lentamente e quando estavamos passando em frente a Àguas Claras levei um susto. Haviam vários predios e luzes no lugar da escuridão das àrvores que lá existiam. Na hora um pensamento veio a minha mente, o Arruda derrubou os lotes das pessoas que residiam há muitos anos na estrutural e agora está permitindo prédios em todos os cantos. Esse conflito está nos afetando. Brasília vive uma transição, no governo do Roriz as pessoas de classe baixa consiguiam sobreviver. Agora, com o "chorão" Arruda, Brasília só tem espaço da classe média em diante. Como a classe baixa irá se vestir? a feira acabou, e agora ganhou um nome elegante "Shopping popular". Nossa, que coisa mais bela, agora eles já podem se sentir da classe média. Os antigos "feirantes" podem agora dizer, com um sorriso estridente, que trabalham no "shopping". Isso é, quando eles conseguem dizer esse nome. Sinto falta da feira e do seu barulho que dava uma identidade particular. Será que agora teremos aquelas portas que abrem automaticamente? Vou sentir falta das lonas e do cabo de vassoura com um prego na ponta que sevia para pegar as roupas que ficam no alto. Agora Brasília só tem shopping, somos importantes, mas ainda acredito que o Taguatinga Shopping vai mudar o nome para Taguatinha Ultra Shopping. Agora se o Arruda ameaçar acabar com a feira do priquito, Brasília viverá uma verdadeira revolução. Já pensou: "Shopping popular da vargina", nem vamos pensar nessa possibilidade. As "primas" com toda a certeza iriam cobrar mais caro. Aí o meu povo iria perder um dos unicos prazeres baratos que existem em Brasília.

Vou continuar atualizando esse texto.... me ajudem com comentarios. abraços.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Carta de um jovem depressivo.

Queria entender porque ainda posso amar. Meu coração está tão ferido. Meus pensamentos são tristes, minha lagrimas parecem ser eternas. Prometi que nunca mais iria amar, nem em mim posso confiar. Nem este suave copo de vinho que me causa embriaguez traz algum sentido.

O sol com o seu calor insuportável, me lembra de mais um dia em que estou vivo. A morte parece um bom caminho, assim talvez as pessoas possam pensar em mim. Desejo apenas existir, não temo a morte. Na verdade é a vida que me causa medo.

Trancado em meu quarto, penso nas maldades do mundo. A televisão que vende uma felicidade utópica, fica o tempo todo desligada. No rádio tocam canções tristes, me sinto compreendido. Os ante-depressivos não causam mais efeito, deixando assim que este conflito, que me causa muita dor, continue em minha mente. Sinto-me destruído, o mundo que me deseja ver livre, me deixa trancado em minha loucura.

Sinto um corte profundo em meu braço, o sangue doce e vermelho escorre até o chão. Essa dor e bem menor do que parece, quando eu me corto fica mais fácil de esquecer o resto. Não adianta me olhar com esse semblante de pena. Não tente se aproximar, você não sabe, você não me entende. Sinto a maldade aqui por perto. Às vezes só preciso de um abraço, mas não quero abraçar ninguém.

Sinto-me estranho nesse mundo, fico atentamente olhando para o chão e pensando em minha solidão. O quarto sempre escuro é uma musica alta. Não quero que ninguém ouça os meus soluços. Sinto que estou indo embora. Não irei fazer falta, não existe ninguém ao meu lado. Não faz sentido viver, a morte e a solução.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Poesia da dor

Poesia que fiz há 2 anos atrás.


E hoje eu percebo que te ver e uma necessidade

Queria te dar o mundo inteiro é ate um pouco mais

Fui atrás das mais belas rosa, para conseguir o seu sorriso.

Estou desistindo de você, é tudo que achávamos certo foi embora.

Sinto que nada mais pode me ferir,

Não existe dor tão forte

O tamanho do meu amor,

É tão grande quanto o da minha dor.

No primeiro beijo você me fez viver

É na despedida você me fez morrer

Eu luto contra a minha mente

Para não pensar em você.

Desejo tanto a morte,

Não tem mais sentido existir

Apenas um copo de vinho me faz bem,

Assim consigo dormir,

Mas quando acordo, sinto um corte profundo

Meu coração esta partido,

Me sinto tão perdido.

O meu prazer e ter risco de vida

Já não sei mais quem eu sou

Estou cansado de correr na direção contraria

Ainda não estou derrotado, não preciso da sua caridade.

Esta tudo fora do lugar,

Eu queria apenas contar uma historia romântica

Mas sei que não existem finais felizes.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Conto....

Faz muito tempo que estou aqui parado olhando para a lua. Ela que ilumina os meus dias de tristeza e solidão. Estou nessa infelicidade por ter acreditado em uma flor que escondia em sua fascinante beleza, espinhos mortais. Uma flor tão bela, branca como as nuvens, com um odor tão raro, que me paralisava em meu suspiro. Entreguei-me cortejando-a com insanidade, cultivando-a de forma única. Ela estava tão sozinha, haviam passado muitos vendavais em sua vida, e as suas pétalas que não mais resistiam, estavam sendo levadas pelo vento.

Essa flor vivia em um imenso jardim, todos os dias a regava com a água do amor. Não existe água mais pura, ela se sentia tão bem, dava para ver de longe a sua cor se fortificar. Essa flor foi crescendo, foi retomando suas pétalas, o mundo a olhava diferente. O seu brilho a cada dia se intensificava, causando inveja até nas estrelas, ela estava se sentindo tão bela, que não conseguia mais pensar em mim. Outros jardineiros encontraram essa flor. Com isso tudo o que fiz foi se tornando obscuro. Às vezes eu colocava minha flor em um vaso e por horas ficava admirando. Realizava todos os desejos é fazia ela se sentir única no meio do imenso jardim que ela se encontrava. Não conseguia perceber que os seus espinhos também cresciam e se tornavam perigosos. Parece que esperava o momento certo de destruir o nosso amor. Eu queria apenas cuidar dessa flor, com isso acabei me esquecendo o mundo.

Um dia me recusei a cuidar da flor, é isso fez com que ela não aceitasse mais os meus cuidados. Essa dor foi tão forte, implorei para continuar fazendo dela a flor mais bela do jardim. Ela relutava e dizia para eu seguir meu caminho sozinho. Não conseguia entender, depois de tudo que passamos. Durante dias cuidei apenas dessa flor, sem nem ao menos olhar para outras flores. E minha flor, que já deixará de ser minha, dizia que agora iria seguir sua vida sem mim. Nesse instante me lembrei de como havia encontrado essa flor, e como lhe fiz se sentir viva.

Certo dia estava passando pelo jardim é pude perceber que tinha um jardineiro cuidando da minha flor, ela já não precisava mais de mim. Estava tão feliz, que me fez sentir feliz. Um dia conversando com a minha flor, ela me disse que estava bem, é que eu estava tomando o espaço dela, quando quis cuidar o tempo todo não a deixava respirar, ela não estava mais resistindo o sufoco que estava sentindo. Isso é a mais pura verdade. Acabei se esquecendo de mim, não passava de um pobre jardineiro. Agora reluto contra esse dor dos espinhos que passa pelo meu corpo. Quando vejo um jardim, não consigo mais olhar para as flores que lá existem. Hoje o mais importante é a minha flor continuar a mais bela de todas. Agora estou na solidão. Com essa flor hoje não posso nem ao menos conversar. Fico apenas amargurando o meu silêncio e admirando a lua.

Ainda não terminei esse conto. Amigos me apontem os erros, e onde eu posso melhorar. Sinto que falta alguma coisa. Me ajudem. Abraços....

sábado, 3 de maio de 2008

Fico sentado na beira da minha varanda. E tão bom estar perto do céu e longe do asfalto. As nuvens ganham formas particulares na imensidão azul. Estou tão preso em certos sentimentos que as formas das nuvens parecem a mesma. Consigo apenas me sentir diferente, uma diferença do mundo. Estou percebendo a minha dificuldade em conviver com a hipocrisia. Uma frase que acredito ser minha, está me fazendo pensar muito sobre a humanidade: "Onde há muita gente, há muito hipocrisia". Este e o nosso mundo. E somos nós mesmos que fazemos o mundo. Esse e o preço pelo humanismo, agora temos que encarar para lutarmos contra nós mesmo. Vou começar comigo, porque as vezes me tranco ao mundo, porque as vezes não converso com pessoas que julgo serem ignorantes. Porque tenho que conviver com o preconceito, eu que achava que estava em paz, agora percebo que sou tão tolo quanto o resto do mundo. Me distancio daquele sujeito com a roupa suja, a barba cheia e olhos baixos. Não quero sentir pena, quero dar um bom dia e um abraço e perguntar do que ele precisa. Ainda que ele me responda que precisa de tomar cachaça, vou beber junto com ele, para tentar descobrir os motivos que o levaram a essa condição de ser. Não vou com a esperança útopica de salva-lo, mas de apenas compreende-lo, de apenas ouvi-lo e se possível vou criar um vículo. Exite um pensamento de Calr Rogers, que poderá salvar mais individuos que os presídios e outras coisas. Calr Rogers diz o seguinte: "Devemos ter uma consideração positiva incondicional". Devemos aceitar as pessoas de forma positiva buscando compreender como elas são. O rotulo traz apenas uma percepção aparente, temos que tentar entrar contato com a subjetividade desses sujeitos. Iremos descobrir que esse sujeito tem uma historia de vida, que ele tem sentimentos e que também deseja viver. Nem todo mundo consegue lidar com os conflitos proprios é do mundo. Os que não conseguem temos que excluir? reflitam sobre essas coisas, e quem sabe conseguiram ter um pouco de paz.