Sigam os meus passos e sintam a liberdade. Mas nunca fechem os olhos para a desigualdade. Um homem que vendia chifres iluminados e atendia pelo nome Adalberto, caminhava com as costas curvadas em direção ao chão, carregando em seu ombro, uma bolsa pesada, repleta de objetos a serem vendidos. Em seu rosto estava estampado o seu cansaço, mas ele ainda precisava vender. Passava pelas pessoas, procurava os jovens que estavam parados entre os carros e que eram os responsáveis por todo o barulho “musical”. Músicas que muito me faziam refletir. As jovens dançavam sorridentes com a música que tinha um estranho refrão: “late cachorra, late que eu estou passando”. Não me lembro do restante da musica, mas parecia ofender as mulheres, o estranho era que a musica era cantada por uma mulher. Muitas mulheres conquistaram a sua independência, muitas guerreiras morreram na queima dos sutiãs. E agora, essas dançarinas que um dia irão ser mães, dançam rebolando com a sua calça que beira o pudor.
Um homem com os cabelos grisalhos e óculos grande, observava com muita atenção as pessoas que naquele meio se encontravam, ele claramente parecia estar incomodado com a altura da musica, pois isso não possibilitava uma “boa conversa”, mas sua atenção ficou direcionada há alguns homens que ficavam cheirando uma camisa dobrada em volta da mão. Ele logo percebeu que se tratava de um “lança perfume”. Esses homens saiam da realidade, dançavam frenéticos com as batidas da musica. Buscavam todas as mulheres que passavam, pedindo um beijo, procurando um momento. Nem conheciam, nem sabiam o tom da voz, eles apenas queriam aumentar o numero de beijos do dia. E raro quando ao menos sabem o nome, mas está valendo, quase que uma aceitou ir para a casa do rapaz.
Cada paralelepípedo representa o trabalho escravo daquela exuberante cidade histórica. Pela cidade você não vê estampado o nome desses trabalhadores que sentiram em suas costas por longos anos as fortes chicotadas. Esse palco é cenário atualmente da alegria vazia da juventude. Penso na juventude que antes lutava pelos direitos do povo, que pintava o rosto e saia a campo para protestar. Agora vemos os deputados a cada dia com novas regalias, aumentando o seu próprio salário e pedindo novos assessores para fazerem o seu trabalho. A fome aumenta, o prato e vazio e a fome e zero. Uma contradição política que está esquecida pelo povo. Somos caridosos, brasileiros não desistem nunca, todos os dias vejo as pessoas colocando as moedas na mão das crianças que pedem esmola, e ainda sorridentes e esperando esse dinheiro em dobro vir de “Deus”, acreditam estarem ajudando o mundo, e indo além, fazendo um jogo com Deus, dando hoje esperando receber em dobro amanhã.
Quantas igrejas históricas e quantas árvores graciosas e robustas cercam o cenário da parte central de Pirenópolis. Descendo a rua pode-se avistar uma ponte que dá acesso a outra parte do rio. Em noites de luar, essa beleza encantadora se intensifica. As correntezas da água passam iluminadas pela luz da lua. Ao som de bom violeiro e de uma grande fogueira rapidamente o tempo passa e pode-se ver o nascer do sol.
Os artesanatos marcam a parte artística da cidade. São vários os trabalhos, produzem artes de sementes, de cipós, de madeiras e materiais recicláveis. Esses são os objetos que pude ver a produção de perto. Tive uma boa conversa com um homem que cortava e dava formas a um simples pedaço de madeira. Fiquei encantado com a leveza e concentração.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
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